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RSC alinha ações de projeto que irá restaurar 200 hectares no Cerrado com protagonismo comunitário

RSC alinha ações de projeto que irá restaurar 200 hectares no Cerrado com protagonismo comunitário

A Rede de Sementes do Cerrado (RSC) realizou, nesta sexta-feira (11), uma reunião virtual com a equipe técnica do projeto “Sementes do Cerrado: caminhos para o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica inclusiva nos corredores da biodiversidade”. O encontro teve como objetivo apresentar oficialmente os integrantes de diversas áreas de atuação, alinhar diretrizes e discutir o cronograma das ações previstas para os próximos quatro anos.

O projeto tem como foco o fortalecimento da cadeia produtiva da restauração ecológica, por meio da qualificação da produção de sementes nativas e da recuperação de áreas degradadas em três corredores prioritários do Cerrado: Serra do Espinhaço (MG), Veadeiros–Pouso Alto–Kalunga (GO) e RIDE Paranaíba–Abaeté (DF e entorno).

Vice-presidente da RSC e coordenadora do projeto, Natanna Hostmann explicou que o trabalho será orientado por três eixos principais sendo eles: protagonismo comunitário, assistência técnica e processos de formação. Segundo ela, o projeto aposta em inovações sociais e na valorização dos saberes tradicionais. “Nosso foco é fortalecer quilombolas, geraizeiros, assentados e agricultores familiares. É por meio deles que a restauração acontece de forma concreta e duradoura”, afirmou.

A Coordenadora também destacou que, ao investir no fortalecimento da produção de sementes e na capacitação técnica das comunidades, o projeto contribui diretamente para a geração de renda e o desenvolvimento local. “A restauração ecológica também é uma estratégia econômica. Queremos garantir que os benefícios cheguem até quem vive e protege o Cerrado todos os dias”, disse.

Ao todo, serão restaurados 200 hectares, abrangendo Unidades de Conservação, reservas legais e territórios de povos e comunidades tradicionais. Parte dessas áreas será restaurada diretamente por grupos comunitários que já atuam na coleta e beneficiamento de sementes nativas, como Associação Cerrado de Pé (ACP), Aprospera – Associação dos Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera), Associação Quilombola Kalunga (AQK) e Cooperativa de Agricultores Coletores Restauradores Agroextrativistas do Alto Rio Pardo (Coocrearp).

Durante os 48 meses de execução, o projeto também investirá em capacitação, mobilização social e fortalecimento de lideranças comunitárias. Coordenadora do Núcleo Projetos da RSC, Jimena Stringuetti, que é a responsável pelas atividades formativas, enfatizou a importância de construir conhecimento de forma coletiva. “Vamos realizar diagnósticos com cada grupo para entender suas necessidades e potencializar suas ações. Também promoveremos intercâmbios e visitas técnicas entre as comunidades, porque a troca de experiências é fundamental para o fortalecimento da rede”, adiantou.

A frente de pesquisa do projeto será conduzida em parceria com o Laboratório de Sementes Nativas e Restauração (LaSeNa), fisicamente no Laboratório de Termobiologia da Universidade de Brasília (UnB). Jamily Pereira, que lidera essa área, explicou que os estudos irão aprofundar o conhecimento sobre 25 espécies de sementes nativas, com qualidade física e fisiológica. “Queremos entender mais profundamente o comportamento dessas sementes, além de identificar novas espécies com potencial de uso na restauração ecológica”, destacou.

Com apoio do edital Corredores da Biodiversidade da Iniciativa Floresta Viva, o projeto conta com financiamento do BNDES e da Petrobras, sob a gestão do FUNBIO. A proposta reúne ciência, inovação, inclusão social e compromisso com a conservação do Cerrado.

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